Início POLITICA Joaquim Chissano: Os ataques terroristas na Zona Norte são outra calamidade

Joaquim Chissano: Os ataques terroristas na Zona Norte são outra calamidade

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O Antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, considera os ataques terroristas que se registam na província de Cabo Delgado uma verdadeira pandemia, que se junta à Covid-19, cuja solução carece do engajamento urgente de todos os segmentos da sociedade moçambicana.

“Agora, no nosso país, temos um outro tipo de pandemia, a qual nós devemos combater. Devemos estar unidos contra essa pandemia e não deixar que os terroristas recrutem jovens”, disse Chissano, que falava em entrevista à Rádio Moçambique, por ocasião do 45.º aniversário da independência nacional.

Sublinhou ainda que os terroristas são “um outro vírus”, um “vírus humano”, que mata. “Eu considero que o terrorismo é uma pandemia, cujo vírus é o Homem. Temos de encontrar uma maneira de combater este vírus humano”, acrescentou.

Chissano citou como exemplo o facto de os órgãos de informação noticiarem a ocorrência de alguns casos de morte pela pandemia da Covid-19 que, actualmente, afecta o mundo inteiro.
“Eu estava a escutar informações, noutro dia, e diziam que a Covid-19 matou mais uma pessoa. Já temos pessoas mortas pela Covid-19. Mas, ao mesmo tempo, estava a ouvir que, num único ataque, os terroristas tinham morto mais de 50 pessoas. Num único ataque, temos mais 50, mais 15, mais 20, mais 50 mortos pelos terroristas”, deplorou o antigo estadista.
Por isso, defende que todos os cidadãos devem estar em estado de alerta máximo e não pensarem que os terroristas de Cabo Delgado não vão chegar a Maputo ou outras regiões do país.
“Da mesma maneira que foram criados em Cabo Delgado, os terroristas podem ser criados em qualquer lugar. E não há-de faltar a vontade deles de recrutar. Quem sabe se estão, neste momento, recrutando? Então, devemos ter cautelas”, advertiu.

…. e adverte sobre inobservância das medidas de prevenção
O combate à pandemia da Covid-19 poderá ser um processo “muito penoso” se cada cidadão não fizer a sua parte na observância das medidas decretadas pelo Governo e autoridades da saúde para travar a propagação da doença.

Segundo o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, não existem razões para o fracasso, pois a maioria dos cidadãos estão cientes daquilo que deve ser feito para evitar a disseminação da Covid-19.

Disse que o próprio Presidente da República, Filipe Nyusi, tem repetido, insistentemente, sobre a necessidade da observância dos melhores métodos de prevenção. É uma pandemia que afecta os países no mundo inteiro.
“Portanto, é um combate mundial contra o vírus. Devo dizer que já houve outras endemias, e vimos que, com o combate correcto, passam. Penso que esta também vai passar. Mas, para passar mais depressa, é preciso cumprirmos essas regras que nos são exigidas”, disse Chissano, que falava hoje na Praça dos Heróis Moçambicanos.

Advertiu que desde o registo do primeiro caso da Covid-19, a 22 Março último, cinco pessoas já morreram, um número que poderá subir se não houver observância das recomendações.
“É claro que é assustador. Se não tomarmos cuidado, esse número pode subir rapidamente, porque a multiplicação desta doença é rápida, e passa de um indivíduo para o outro, sem se aperceber”, observou.
Citou algumas fontes de transmissão, mesmo dentro de casa, tais como o corrimão de escadas ou cadeiras onde sentam muitas pessoas, entre outras.

Entre os aspectos que consubstanciam o incumprimento das medidas de prevenção, o Governo aponta o desrespeito do distanciamento interpessoal de pelo menos um metro e meio, uso obrigatório de máscaras de protecção facial em aglomerados populacionais, lavagem frequente das mãos e permanência fora de casa, desnecessariamente.

Estatísticas do Ministério da Saúde indicam que Moçambique regista um cumulativo de 757 casos positivos, sendo 687 de transmissão local e 70 importados. Deste número, 206 pacientes são recuperados.

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