Início POLITICA Diarreias agudas ampliam drama humano na Mocímboa da Praia

Diarreias agudas ampliam drama humano na Mocímboa da Praia

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Numa altura em que o Estado ainda tenta recompor-se depois da destruição e vandalização da saga terrorista dos finais de Junho, a vila municipal de Mocímboa da Praia está, há duas semanas, a registar um outro e grave problema, realidade que vem aumentar
o drama humano que já se vive naquela circunscrição. Trata-se da eclosão de diarreias, que já causaram a morte de número indeterminado de pessoas em vários bairros da vila.

Maior número de casos tem estado a ser observado nas comunidades de Nabubussi, Malinde, Nkomangano e Ilha Nhonge.
Residentes locais dizem somente que as diarreias “já causaram várias mortes”.

“As vítimas mortais estão aumentando a cada dia e o pior é a falta de assistência médica. Actualmente a região não tem posto médico nem serviços de primeiros socorros” –contou um residente de Nabubussi, relatando desespero numa altura que estava com
um filho de cinco anos de idade, com sintomas de malária, entretanto, sem
possibilidade de assistência médica pelo facto de as unidades sanitárias continuarem inoperacionais, depois do autêntico terror implantado aquando do último ataque.

Além da destruição de infra-estruturas, os profissionais de saúde também desapareceram da vila, à busca de locais tidos como mais seguros.

Os insurgentes já entraram três vezes na vila de Mocímboa da Praia, tendo o último sido o mais mortífero e destrutivo de bens públicos e privados.

“Cada dia há registo de mortos, ainda hoje (quinta-feira) não sei quantos morreram, mas nos últimos dois dias registaram-se cinco a seis vítimas mortais devido às diarreias. Algumas pessoas são daqui e outras vieram doentes das ilhas”, contou a fonte. Com as lojas encerradas e com falta de dinheiro, há também relatos de até os enterros não estarem a ser feitos segundo os costumes locais. Um dos exemplos é a falta de panos brancos para cobrir os corpos.
“Agora já se esta a usar qualquer tipo de lençóis para mortalha porque já não tem panos brancos habitualmente usado em cerimónias fúnebres, segundo os costumes locais. Esta situação faz com que três ou quatro corpos sejam enterrados numa só campa como aconteceu emNkomangano” – relatou.

Com quase total ausência do Estado, começam igualmente a surgir boatos relacionados com a identificação das origens das diarreias, um cenário que está a resultar em acusações entre a população local e consequentes agressões físicas. Há relato de gente que, depois de acusada, foi obrigada a abandonar a zona, episódios que envolveram muanis e macuas, estes últimos imigrantes de Nampula e a exercer actividades de pesca em Mocímboa. Na aldeia Malinde, um outro jovem foi linchado pelos populares depois de ter sido acusado de ser portador do medicamento que causa as diarreias, conforme relatou a fonte.

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